A diferença entre a leitura cognitiva de paisagens urbanas e naturais



A neurociência comprovou que o cérebro humano é diretamente impactado pela leitura do ambiente onde o indivíduo se encontra. Mesmo criaturas mais primitivas como as amebas são impactadas pelo ambiente que se encontram, ao interpretar os riscos inerentes a esse ambiente, e desenvolver os mecanismos de defesa.

A história da evolução dos seres é diretamente relacionada pela leitura ambiental. E a neurociência tem comprovado sobremaneira como ela age diretamente na forma como os seres se comportam.

Os seres humanos incluem nessa leitura o componente das emoções, ao inferir dessa leitura as sensações que tais ambientes transmitem como bem-estar, segurança, aprisionamento, entre outros.

Descobertas da neurociência

Amparados por aparelhos voltados para mapear as atividades elétricas do encéfalo, pesquisadores coreanos se debruçaram em entender como o cérebro humano interpreta paisagens urbanas e naturais. Acompanhe a seguir o que se descobriu a respeito:

A leitura da paisagem urbana

A paisagem urbana é aquela diretamente transformada pela ação humana, com suas edificações e projetos urbanísticos. Ao interferir no ambiente natural, o homem busca promover facilidades na dinâmica cotidiana do convívio coletivo.

O mapeamento cerebral mostrou que a paisagem urbana aciona a região da amígdala cerebral, que está diretamente ligada à impulsividade e à ativação de gatilhos da ansiedade e do aumento do estresse.

Foram vinculadas as seguintes características mediante a paisagem urbana:

– aumento do estímulo cerebral na forma de provocar entusiasmo;

– aumento da carga cognitiva;

– dificuldade em despertar a contemplação, o fascínio;

– roubo da atenção com maior intensidade.

A leitura da paisagem natural

A pesquisa dos neurocientistas mostrou que as cenas naturais ativam a região do cíngulo e ínsula anterior, revertendo diretamente em atividades associadas à empatia e ao comportamento altruísta.

Ambientes naturais estão ligados a:

– atenção involuntária;

– estímulo à contemplação e atividades meditativas;

– sensação de bem-estar;

– recuperação cognitiva da fadiga e do stress.

Apontamentos

Diante de tais resultados, se faz necessária a reflexão sobre a combinação de pontos de fuga natural no planejamento de ambientes urbanos, bem como em projetos residenciais e corporativos. Esse equilíbrio promove os gatilhos cognitivos necessários que são ativados pelas paisagens naturais quando inseridas no cenário urbano, promovendo o bem-estar e de combate natural ao stress.